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Como Ler Sonar para Achar Cardumes de Tilápia em Igaraçava

Como Ler Sonar para Achar Cardumes de Tilápia em Igaraçava

Quem já passou um final de semana navegando pela represa de Igaraçava sabe que encontrar tilápias ativas pode ser a diferença entre voltar com a caixa cheia ou apenas com histórias para contar. E é justamente aí que o sonar entra como aliado indispensável. Aquela telinha que parece complicada à primeira vista guarda informações preciosas sobre o que acontece debaixo d’água — basta saber interpretar.

Este guia foi pensado para quem está começando na pesca esportiva no interior paulista e quer aproveitar a tecnologia para reduzir o tempo de procura e aumentar o de fisgada. Vamos descomplicar a leitura do sonar e mostrar como aplicar isso na prática em uma das represas mais visitadas da região, formada pelo represamento do Rio Pardo entre Brodowski e Sales Oliveira.

Por que Igaraçava é um cenário especial para tilápias

A represa de Igaraçava tem características que favorecem a presença abundante de tilápias-do-nilo: temperatura amena na maior parte do ano, fundo irregular com pedras e troncos submersos, além de braços com vegetação marginal que servem de berçário. Isso significa que os peixes se distribuem de forma bem diferente conforme a estação, a hora do dia e a profundidade — e o sonar é quem revela esses padrões.

Na primavera e verão, é comum encontrar cardumes mais próximos da superfície e das margens, especialmente durante a desova. Já no inverno, as tilápias buscam águas mais profundas e estáveis, geralmente entre 6 e 12 metros, perto de estruturas que conservam calor.

Entendendo o que o sonar mostra

Antes de sair caçando peixe na tela, é fundamental compreender o que cada elemento significa. Um sonar tradicional emite ondas sonoras que descem até o fundo e retornam, traduzindo o que encontram em imagens coloridas.

Os elementos básicos da tela

  • Linha do fundo: é a faixa contínua, geralmente vermelha ou amarela bem marcada, que representa o leito da represa. Quanto mais espessa, mais duro o fundo (pedra, cascalho). Linhas finas indicam fundo macio (lama, sedimento).
  • Coluna d’água: o espaço entre a superfície e o fundo. É aqui que aparecem os peixes e estruturas.
  • Termoclina: uma faixa horizontal mais clara que separa águas de temperaturas diferentes. Tilápias costumam ficar logo acima dela em dias quentes.
  • Arcos e bolinhas: representações de peixes individuais ou em grupo.

Como identificar tilápia especificamente

A tilápia tem um padrão de retorno característico no sonar. Por viver em cardumes e ocupar profundidades intermediárias, ela aparece como nuvens densas de pontos, geralmente entre 2 e 8 metros da superfície, formando bolhas ou “cachos” suspensos na coluna d’água. Diferente do tucunaré, que costuma aparecer como arcos isolados próximos a estruturas, ou da traíra, que fica colada no fundo.

Quando você vê uma mancha colorida intensa, com tons que vão do amarelo ao vermelho, concentrada em uma faixa específica de profundidade, há grande chance de ser um cardume de tilápia.

Passo a passo para localizar cardumes em Igaraçava

1. Configure o sonar corretamente

Antes de tudo, ajuste a sensibilidade entre 75% e 85%. Sensibilidade baixa demais esconde peixes pequenos; alta demais cria “sujeira” na tela. Mantenha a frequência em 200 kHz para detalhamento em águas até 20 metros — perfeito para a maioria dos pontos da represa.

2. Comece pelos braços e entradas de córrego

Em Igaraçava, as áreas onde pequenos córregos desaguam costumam concentrar tilápias por causa do alimento trazido pela correnteza. Navegue em velocidade lenta (até 5 km/h) com o motor elétrico ou em marcha lenta, observando a tela.

3. Procure pelas “árvores de natal”

Esse é o apelido carinhoso para a imagem clássica de cardume denso: uma massa colorida em formato cônico ou de pinheiro. Quando aparecer, marque o ponto imediatamente no GPS do equipamento.

4. Identifique estruturas próximas

Tilápias adoram ficar perto de pedras submersas, troncos afundados e desníveis bruscos do fundo. Esses lugares aparecem como elevações ou irregularidades na linha do leito. Cruze essa informação: cardume + estrutura = ponto de ouro.

5. Observe a profundidade do cardume

Anote em que metragem os peixes estão. Se o cardume aparece a 4 metros, sua isca precisa trabalhar nessa faixa. De nada adianta jogar no fundo se eles estão suspensos na meia-água.

Erros comuns de quem está começando

Um equívoco frequente é confundir bolhas de gás do fundo com peixes. Bolhas sobem em linha reta e desaparecem rapidamente; peixes têm movimento mais errático e permanecem por mais tempo na tela.

Outro deslize é navegar rápido demais. O sonar precisa de tempo para “desenhar” o que está abaixo. Acima de 8 km/h, a imagem perde definição e cardumes podem passar despercebidos.

Também é comum o iniciante ficar parado no mesmo ponto esperando o peixe aparecer na tela. O sonar mostra o que está embaixo do barco naquele instante — para mapear uma área, é preciso se movimentar em padrão de zigue-zague.

Dicas extras para o dia da pescaria

Nas primeiras horas da manhã, foque nas margens com vegetação e profundidades entre 2 e 4 metros. Conforme o sol esquenta, os cardumes descem. Por volta do meio-dia, procure entre 5 e 8 metros, especialmente em pontos com sombra de barrancos.

Leve um caderninho ou use o app do equipamento para registrar os pontos produtivos com horário, temperatura e profundidade. Em poucas saídas você terá um mapa pessoal de Igaraçava que vale ouro.

Praticar leitura de sonar é como aprender a ler um livro novo: no começo parece tudo embaçado, mas com algumas saídas você começa a enxergar histórias claras na tela. Cada cardume identificado é um aprendizado, e cada erro também. Pegue seu barco, ligue o equipamento e deixe a represa contar onde estão as tilápias — elas estão lá, esperando quem souber escutar.

BR

Bruno Bracaioli

Editor